Aula aberta inicia último dia da 17ª Jornada Agroecologica 

Por Luis Lomba, do Brasil de Fato

Uma aula aberta na praça Santos Andrade iniciou o último dia da 17ª Jornada de Agroecologia, em Curitiba. A pastora evangélica Rohme Bencke, a nutricionista e professora da USP Patrícia Jaime e o líder do MST João Pedro Stédile falaram sobre o tema Arte, Ciência e Cultura na construção de um projeto popular para a Agricultura. “O fundamentalismo religioso e a monocultura são a expressão de uma mesma face do capitalismo que tenta reduzir a diversidade da natureza”, apontou a pastora.

Rohme Bencke, que é também secretária nacional do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil, observou que toda postura de fé é necessariamente política. “Não dá para dizer que se tem uma fé apolítica. Fé tem que ter um lado. Se nos orientamos pelo Evangelho, temos que estar ao lado dos que trabalham para que todos tenham vida”, disse. 

A prática do Evangelho é compatível com a Agroecologia, não com o agronegócio, segundo Rohme. Apesar disso, ela vê tentativas de impor restrições à atuação pastoral para não alinhar as igrejas à Agroecologia. “Há uma vinculação de expressões do Cristianismo ao agronegócio, com a defesa da monocultura”, constata.

Antes dela, João Pedro Stédile abordou os aspectos econômicos da luta pela soberania alimentar do povo brasileiro. “Nas últimas duas décadas enfrentamos uma luta de classes na disputa pelos bens da natureza, uma disputa entre dois grandes projetos: o do capital, que transforma tudo em mercadoria; e, do outro lado, o projeto popular, camponês, da classe trabalhadora”, sintetizou.

Os dois modelos são antagônicos e se enfrentam todos os dias, no campo e na cidade, observou o líder do MST. “Um representa a morte; o outro, a vida. Um quer a monocultura. Nós queremos a policultura, que se possa produzir um pouco de tudo na terra, pois é assim que a natureza se reproduz”, afirmou. 

Patrícia Jaime falou sobre a alimentação estabelecendo nexos entre conhecimentos. Ela criticou o consumo de alimentos ultraprocessados, como salgados de pacote e biscoitos. “São a comida de mentira. Diz na embalagem que tem sabor laranja mas não tem laranja lá dentro. O contrário disso é a Agroecologia, que produz alimentos saudáveis”, disse.

 

 

 

Fotos: Giorgia Prates