Trocas de experiências marcam a Feira de Agrobiodiversidade na Jornada de Agroecologia

Cuidado com o meio ambiente e com a saúde humana também são uma preocupação dos 80 grupos expositores. Comida, artesanato e sementes a preços acessíveis podem ser encontradas no local.

Por Franciele Petry Schramm

As frutas, verduras, pães e artesanato expostos na Feira da Agrobiodiversidade Camponesa e Popular, durante a 15ª Jornada de Agroecologia, são mais do que fruto do trabalho de trabalhadores e trabalhadoras de diferentes cidades do Paraná. São também resultado de muita luta e debate político. Não à toa, grande parte das camisetas, canecas e livros expostos trazem imagens ou mensagens de pessoas que debatem modelos mais justos de produção.

A discussão de uma nova sociedade também está presente em bolachas, geléias, sementes, cachecóis que são apresentados na Feira. Em comum entre os diversos grupos produtores, está a ideia de uma produção que respeite o meio ambiente, trabalhadores e trabalhadoras, além dos consumidores e consumidoras.

Cerca de 80 grupos – entre integrantes de acampamentos, assentamentos, indígenas e faxinalenses de diferentes partes do estado – estão expondo diversos produtos na Feira. Os valores subjetivos incorporados em cada produto – como solidariedade, bem-estar e saúde – vão para além dos preços, acessíveis para todos os bolsos.

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Foto: Riquieli Capitani

Teresinha de Lima dos Santos é uma das mais de 80 expositoras da Feira. Ela produz e expõe pães, bolachas, cerveja artesanal, macarrão – de três variedades -, tudo de forma agroecológica. “Não tô só vendendo alimento, mas também saúde”, se orgulha.

Esta é a segunda vez que a trabalhadora rural participa da atividade. Moradora de Irati, no Centro-Sul do estado, ela diz ter aproveitado muito a experiência quando acompanhou a Jornada em 2015, realizada em sua cidade. Desde lá, conseguiu avançar e produzir seus pães caseiros também de forma agroecológica. Para ela, participar da Feira é sempre um grande aprendizado. “Aqui tem muita troca de ideias, de como recuperar as sementes…”

Consumidora da Feira, Maria Valotto concorda com Teresinha. A agricultura aposentada conta que essa é a 5ª Jornada em que participa, e destaca que na atividade “sempre aprende e ensina”. Muito admirada pelos trabalhos de artesanato, comprou um pano de prato para poder tirar o modelo de barra feita em crochê.

Já a expositora Leni Costa aprendeu um novo modelo de toca feita em crochê com Rosemara, que está expondo seus produtos ao lado. Moradora do Acampamento Maria Rosa do Contestado, Rosemara do Rocio Santana está participando da Jornada como feirante pela primeira vez. E está animada com as possibilidades futuras. Junto das colegas de acampamento, Roseli e Maria, pretende organizar um coletivo de mulheres para trocarem saberes. 

Ela conta que há a ideia de formar uma cooperativa com as famílias do acampamento, para produção de geleias e alimentos em conservas a partir do que é produzido no acampamento. E já sabe-se como serão os produtos: agroecológicos. “É muito bom produzir sem veneno”, destaca a agricultora Roseli Koralevski. “A gente quer comer uma comida mais saudável. Até o sabor é outro”, completa Rosemara.

Preservação e Resistência

 

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Quem passa pela Feira de Agrobiodiversidade também encontra a luta de quem defende a agrobiodiversidade através da manutenção e preservação de sementes crioulas.

Agricultor familiar, Hamilton de Chaves Paizani explica que a exposição e venda de sementes é uma forma de garantir uma maior circulação das espécies. “Nós não queremos ter só pra gente, e tá se perdendo a semente crioula”. Mais resistente do que variedades geneticamente modificadas, as sementes crioulas representam a garantia de preservação da agrobiodiversidade e da sustentabilidade econômico de pequenos agricultores. “Até os animais preferem comer elas”, conta.

Hamilton é guardião de sementes da sua comunidade. Para isso, busca isolar suas plantações – de milho e feijão – para que não sejam contaminadas por outras variedades.  “A gente tem até um orgulho de estar aqui na Jornada”, explica. “Porque as sementes crioulas são uma coisa que tão se perdendo, e esse é um resgate muito importante”.

Outras formas de resistência e reflexão também podem ser encontradas na Feira. Informações sobre os impactos causados por agrotóxicos e o resultado de atividades construídas com as crianças estudantes das Escolas Itinerantes do Paraná – que acompanham o deslocamento das famílias sem terra – podem ser acompanhadas por quem visita o local.

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